A história por detrás do aroma: como transformamos um lugar numa fragrância

Vela Told London Island Breeze, Seychelles acesa, em porcelana fina branca, tampa dourada ao lado, entre rosas cor-de-rosa, magnólias, frangipanis, buganvílias, uma romã aberta e pérolas numa mesa de mármore ao sol sobre o Lago de Como, sob glicínias

Cada fragrância Told London começa num lugar onde vivemos ou que amámos. Eis a história pessoal por detrás de cada aroma da nossa coleção.

Há quem nos pergunte de onde vêm as nossas fragrâncias. Cada uma delas vem de um lugar onde vivemos ou que amámos, um lugar que moldou a forma como vemos o mundo. A fragrância, sempre acreditámos, é uma das formas mais elegantes de levar um lugar para dentro de casa.

Esta é a história por detrás de cada aroma da coleção Told London.

Island Breeze, Seychelles

Nasci nas Seicheles. Para mim, aquela cultura é luz do sol e abertura, uma vida moldada pela natureza e pela cor, e por uma certa descontração que só às ilhas pertence. Ali, o perfume nunca está separado do ar. Faz parte da forma como se entende o dia, do calor da buganvília à doçura do maracujá trazida pela brisa. Em Island Breeze, Seychelles, a buganvília e o maracujá dão lugar ao jasmim, à gardénia e ao frangipani, tudo assente no calor do sândalo e da baunilha. É a fragrância dentro da qual cresci.

Night Blooms, India

A casa dos meus avós na Índia deu-me uma linguagem completamente diferente, feita de cerimónia e hospitalidade. Ali, a fragrância assinala o momento em que chega um convidado, e pertence tanto ao ritual como à memória. Não conheci nenhum lugar que compreenda isto mais profundamente. As noites eram inebriantes e complexas, e ficaram comigo desde então. Night Blooms, India abre com romã, frutos vermelhos e pimenta-rosa, passa depois ao jasmim sambac, ao cravinho e à ameixa, e assenta por fim no patchouli, na baunilha e no sândalo. Nunca foi uma fragrância tímida, e seria estranho se o fosse.

Highland Retreat, Scotland

Mudei-me para a Escócia para estudar e apaixonei-me pelo espírito do lugar: ar frio e gente calorosa, divertida e ferozmente acolhedora, noites que acabavam tarde e longas conversas. A Escócia deu-me confiança. Foi também lá que conheci o Chris, que já tinha viajado muito e reunido histórias suas. Vínhamos de meios muito diferentes e percebemos que éramos ambos obcecados pela forma como um lugar molda uma pessoa. Highland Retreat, Scotland guarda esse calor dentro do seu dramatismo. Conhaque, fumo e açafrão abrem-na, a canela fumada e o couro estão no seu coração, e a base de baunilha, patchouli, sândalo e vetiver perdura noite dentro. É uma fragrância para quem regressa a casa, de preferência de algum lugar frio.

City Grandeur, London

Construímos a nossa vida profissional em Londres. É uma cidade de muitos mundos que vivem lado a lado, com arte, design, comida, línguas e música em cada rua. Londres ensinou-nos ritmo e gosto, e fez-nos querer criar algo com uma intenção verdadeira. City Grandeur, London abre com essa energia, com a bergamota, o limão e a lima a chegarem todos ao mesmo tempo. O chá preto e o alecrim dão um certo requinte ao coração, e o vetiver, o musgo e a madeira de cedro mantêm-lhe os pés assentes na terra. É revigorante e serena ao mesmo tempo, que é como Londres é num bom dia.

Glorious Gardens, England

Vivemos em Kent e Sussex com a nossa família, e esses anos mudaram a minha forma de pensar no que é um lar. Enquanto lá estivemos, o Chris reconverteu-se em designer de jardins. Ao vê-lo trabalhar, aprendi quanta paciência e quanto conhecimento são precisos para fazer florescer seja o que for em solo inglês, e como um jardim inglês é verdadeiramente extraordinário. Rosa, magnólia, gerânio e glicínia, violeta e folhas verdes, e o ar fresco depois da chuva. Glorious Gardens, England reúne tudo isto num jardim no seu auge, com madeira de cedro e almíscar por baixo para o deixar assentar.

Dancing Light, Lake Como

E agora estamos no Lago de Como, em Itália. É deslumbrante, e exige muito a quem aqui trabalha. O artesanato e o design fazem parte do dia a dia, e a atenção dada ao aspeto das coisas tornou a Told London mais exigente em tudo o que fazemos. A luz sobre a água tem aqui uma qualidade que não se encontra em mais lado nenhum, e Dancing Light, Lake Como é a nossa tentativa de a traduzir em aroma. Folha de figueira e madressilva abrem-na, com lírio-do-vale, glicínia e jasmim-estrela no coração e uma base suave de almíscar, sândalo e madeira de cedro. É a fragrância do sítio onde estamos agora, e de tudo o que este lugar ainda nos está a ensinar.

Lillie a uma janela aberta sobre o Lago de Como, de cabelo comprido solto, inspira o aroma de uma vela Told London Dancing Light, Lake Como acesa, em porcelana fina branca, junto a uma jarra de glicínias numa mesa de mármore

Como as ilustrações contam a história

Antes de qualquer fragrância ser composta, um lugar é desenhado. A artista Kerry Lemon trabalha a partir das memórias e referências que lhe trazemos e cria uma série de motivos desenhados à mão, cada um deles um fragmento preciso desse lugar: um pormenor de arquitetura, uma flor, uma criatura ou um objeto que não poderia pertencer a mais lado nenhum. Os motivos rodeiam cada recipiente de porcelana como uma linguagem privada, pelo que já se está dentro da história antes de a vela ser acesa.

Livro antigo aberto numa mesa sobre o Lago de Como; das páginas sai em espiral uma fita de papel com ilustrações pintadas à mão inspiradas nos motivos da Told London: Big Ben, cabine telefónica vermelha, coroa, glicínia, villa de Como, palmeira e vieira

Só então nos voltamos para os perfumistas. Casas de perfumaria de nível mundial, entre as quais a Givaudan, a Mastenbroek e a Sozio, traduzem cada lugar em aroma, ao nível da melhor perfumaria pessoal. Cada lugar tem o seu próprio recipiente, e um fio de memória atravessa cada um deles.

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